Eu adoro tomar uma cerveja na padaria da esquina. Sempre encontro algum figura para jogar conversa fora e falar sobre amenidades.
Estes dias atrás estava lá e fiz amizade com Robson no balcão, que estava conversando com meu amigo Bigode, dono da padaria. Robson mora próximo da Vila Olímpia, num quarto alugado numa espécie de hotel.
Nossa conversa começou sobre Ronaldinho e Richarlysson, ele corinthiano e eu são paulino. Em algum ponto o papo foi parar na crise financeira, e Robson me contou um pouco sobre comoisso afetou sua vida nos últimos meses.
Robson era dogwalker, uma profissão crescente em grandes centros como São Paulo, onde pessoas cobram um valor para passear com os cachorros de quem não tem tempo ou não gosta de levar o cachorro para passear. Chegava a tirar R$900 por mês passeando com os cachorros de Moema Vila Olímpia e Vila Nova Conceição. Mas aí veio a crise. E todo rico, novo rico, ou mesmo a classe média alta, cortaram muitos dos gastos supérfluos.

Segundo meu amigo Robson, nenhum pai de família vai preferir cortar a babá do filho do que o cara que passeia com o poodle da sua esposa. E nessa onda de cortes, Robson perdeu 90% dos seus clientes.
Desempregado fazia 3 meses, submeteu-se a trabalhar como servente de pedreiro para ganhar apenas R$ 600 por mês e sem registro em carteira.
De forma alguma Robson estava reclamando. Assim como eu, ele também estava super feliz por ter um trabalho, mas o interessante foi perceber que meu amigo Robson compartilhava da mesma visão de mundo que eu mesmo, mesmo nós dois sendo de universos bem diferentes.
Ele sabia que a queda no faturamento das empresas de seus patrões afetou diretamente o seu trabalho e sua profissão, e fez dele um desempregado por um tempo, e posteriormente, sofreu com a queda de mais de 30% da sua renda mensal. Ele também percebeu que as pessoas estão um pouco mais pobres, e que alguns mercados tendem a encolher, principalmente os de serviços considerados supérfluos, como por exemplo, o do profissional dogwalker.
O importante é se diversificar. Como disse Robson naquele dia pra mim na padaria, entre um copo e outro de Skol, só fica parado quem quer. Qualquer um sabe passear com um cachorro, e no momento de aperto foi a única solução que lhe apareceu. Agora em 2009, Robson precisou se re-inventar, e por mais que admita não saber muita coisa sobre construção civil, sabe que se tiver força de vontade, pode aprender muito e crescer ainda mais na profissão.
