Não dou mais um ou dois para aprovarem uma lei mais ou menos assim:
Fazer o download de músicas ou vídeos na Internet ou comprar CDs e DVDs em vendedores ambulantes não é mais considerado crime.
Acho que não adianta mais lutar contra a pirataria. Vamos dar as mãos e ser felizes.
As gravadoras hoje percebem que podem lucrar mais com os shows de seus artistas do que com a venda de CDs. Os grandes estúdios já entenderam que a grana boa vem das exibições em cinemas, e não da venda de DVDs.
Não entendo porque os estúdios de cinema se preocuparam por tanto tempo em proibir a pirataria de DVDs? Eles davam lucro para os estúdios? Nunca! Na era do VHS eles só vendiam fitas para as video-locadoras, e olhe lá.
Na última edição da revista HSM Management, uma entrevista com Chris Anderson, editor-chefe da revista Wired, fala exatamente sobre a gratuidade de algumas coisas. Se as pessoas ouvirem mais a minha música elas podem ir mais ao meu show. Mesmo que o preço de um ingresso seja exorbitante, ver um artista ao vivo é muito mais significativo do que ouvir um CD. Então vamos distribuir CDs e DVDs de graça.
Mas por que só agora os CDs podem ser distribuídos de graça? Chris Anderson explica que só agora as gravadoras e estúdios entenderam que o lucro com a venda de um CD ou DVD era tão microscópico que poderia ser de graça. Sendo assim, vamos oferecer CDs esperando que as pessoas venham até o meu show. E como fazer com que estes CDs alcance a maior quantidade de pessoas? Deixe que elas mesmas distribuam os CDs para você, seja através da Internet ou pelo comércio informal. Assim simples, sem nenhum custo adicional.
A matéria de Chris Anderson da Wired prevê o que já era óbvio: a Internet será totalmente gratuita em todos os sentidos, e isto tem afetado diversos outros setores da economia que hoje reformulam seus modelos de negócios transformando segmentos inteiros em negócios gratuitos. Há uma regra em economia que diz:
Se um produto tem seu preço reduzido pela metade a cada 18 meses, o produto, teoricamente, poderia ser dado de graça.
Isso aconteceu com os aparelhos de celular, com a conexão na Internet, com o armazenamento de dados e hoje acontece com CDs e DVDs. O cantor Prince distribui mais de 2 milhões de cópias de seu último álbum gratuitamente, e com isso conseguiu lotar 21 apresentações de seu show na Europa.
Na área de telecomunicações, na minha opinião, seria muito mais fácil vender o serviço de chamadas – afinal, um celular serve prioritariamente para fazer ligações – e comercializar apenas os aparelhos. Acho que não deve haver diferença de tarifas se eu ligo de um celular para um fixo ou para um celular de outra operadora. O lucro deveria vir da venda de aparelhos, assim cada um escolhe o aparelho com a quantidade de funções que desejar, porém, fazer ligações, seria gratuito.
Pensemos mais onde a freeconomics pode chegar, e com certeza muita serviço e produto seria comercializado em um modelo totalmente novo de negócios.
E você? Qual sua opinião sobre isso?