Prontofalei

January 7, 2009

É feriado! Vamos trabalhar Brasil!

Passei meu ano novo com meus pais na cidade de Praia Grande, Baixada Santista, litoral sul de São Paulo.
A última vez que fui para lá era Agosto. A cidade estava calma, deserta, com poucas pessoas na areia mesmo com um solzinho agradável de inverno. A orla parecia linda, com todos os jardins desenhando a imensa faixa de areia, e eu vendo tudo de uma gigantesca varanda no 12° andar de frente para o mar. Praia Grande em Agosto parecia uma cidade fantasma, com suas casas de veraneio apagadas, quiosques vazios e comércio fechado. Era difícil achar um lugar aberto a meia-noite, e até os postos de combustível estavam fechados.
Mas nos feriados a cidade se transforma. Milhões de pessoas invadem as casas de veraneio. Os surpermercados superlotam, filas enormes surgem para comprar um simples pãozinho. Nas farmácias faltam aspirinas, os caixas eletrônicos não têm dinheiro suficiente, e uma cerveja é vendida quente por R$ 4,00, já que com o calor não há geladeira que aguente a demanda.
Para piorar o caos, muitos comerciantes resolvem fechar suas portas em um horário quase que comercial, alegando que precisam descansar. Descansar? E o que eles fazem nos dias do ano em que não é feriado?
A população de Praia Grande chega a ser 10 vezes maior durante o feriado de ano novo, e a cidade fica repleta de turistas que, mesmo sendo de baixa renda, estão dispostos a gastar dinheiro em uma viagem ao litoral. Durante a maior parte do ano, o comércio da cidade é nulo, e vive só de vendas para moradores locais, que muitas vezes fazem suas compras em cidades maiores. Como os comerciantes ousam então fechar suas portas para descansar se esta é a maior oportunidade de ganhar um bom dinheiro extra para render pelo resto do ano?
A prefeitura da cidade poderia, por exemplo, incentivar o comércio a permanecer aberto até mais tarde nos feriados, oferecendo segurança tanto para o estabelecimento quanto para os turistas, e também criar soluções para que o abastecimento de produtos da cidade não seja prejudicado. Estas ações trariam mais receita ao município e os turistas sentir-se-iam mais bem recebidos.
Turista gastando é cidade lucrando, e ninguém gasta mais que um turista de férias. Nem mesmo mulher com o cartão de crédito do marido.
Fica dado o recado Sr. Prefeito de Praia Grande: O pior pobre é aquele que quer ser pobre pra sempre.

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