Prontofalei

January 15, 2009

O medo na contramão do bom atendimento

Filed under: Tecnologia, Variados — Tags: , , , , , , , — Danilo Idman @ 1:22 pm

Meu amigo Paulo Nobre fez este texto e achei bem interessante para postá-lo aqui no Prontofalei.


Talvez a maior fama do sistema GSM de telefonia móvel seja a dificuldade de clonagem da linha telefônica. No começo do GSM no Brasil, as operadoras que adotaram esse sistema usaram esse argumento para ganhar logo de cara os usuários cheios de dores de cabeça com esse problema da clonagem que era cada vez mais comum. Pois bem, os anos se passaram e, como se sabe, nenhuma tecnologia é 100% à prova de falhas para sempre.


Aqui começa a minha história: no final do ano passado fui de Sampa ao Rio e quando voltei a conta acusava ligações feitas e recebidas que de fato não eram minhas. Entendo por clonagem a utilização de uma linha telefônica por terceiros que não têm posse do aparelho ou chip com o registro da linha. Pois bem, ligando para o atendimento da TIM percebi uma certa regra entre os atendentes em dizer que não podem registrar a reclamação pois o sistema não permite clonagem.


E desde quando atendente é técnico em tecnologia para poder garantir que o sistema agora não está falhando? A queixa deveria ter sido registrada para análise. Além disso, notei que eles têm medo de assumir a clonagem para não prejudicar a imagem da empresa e poderem dizer que o sistema GSM da TIM é falho perante o das outras operadoras. E nisso, eu, cliente, fico com o prejuízo e sem poder reutilizar meu número de celular pois eles não tomam a atitude de consertar o erro. Ou seja, o bem da empresa acima do bem do cliente. Até o dia que a empresa ficar sem cliente!

E que venha a portabilidade para São Paulo em 2 de março.

September 8, 2008

Encanto virtual

Imagine como é difícil criar uma atmosfera que encante um cliente induzindo-o a acreditar que seu produto é melhor. Uma loja de jóias, por exemplo. Jóias geralmente são bem caras e carregam conceitos. Por isso a loja tem que escolher bem desde o material das paredes como cores e texturas, do chão como madeira ou mármore, por exemplo, até o efeito causado pela iluminação, sons e aromas para ser adequada ao produto. Tudo que possa atiçar cada sentido e levar a uma sensação de prazer que induza à compra.

No caso de uma loja real isso não é tarefa fácil e estamos falando de várias possibilidades dentro dos cinco sentidos das pessoas. Na internet então isso é mais difícil ainda pois só podemos trabalhar com a audição e visão (nada de tato, olfato nem paladar). Mas sempre tem aqueles gênios que conseguem criar essas atmosferas mágicas mesmo com menos possibilidades.

Uma caso muito interessante é o da loja de jóias Van Cleef & Arpels. O site é simplesmente um mundo de imaginação livre, leve e solta. Natureza e lendas sem encontram num show de efeitos visuais e sons que nos fazem nos perder do mundo real. O site é de certa forma simple e complexo ao mesmo tempo. Enquanto você navega com poucos cliques e vai sendo apresentado à coleção de preciosidades, ele também não economiza na interatividade e nos elementos gráficos.

Visite e veja se você concorda comigo. E se tiver dicas de outros sites que se encaixam nesse perfil, deixe seu comentário.

Para efeito de comparação, indico também o site Continental Mobiles. Sem muito desenvolvimento nem preocupação com a sedução, o site vende caríssimos celulares feitos em metais nobres cravados com pedras preciosas. Ou seja, não há nenhum apelo que o leve para dentro de um mundo de magia como o site descrito acima. Ele se vale do conceito do produto somente e não da sua própria marca.

Van Cleef & Arpels: http://www.vancleef-arpels.com
Continental Mobiles: http://www.continentalmobiles.com

May 12, 2008

Cuidado casais: seu namoro está por um clique

Filed under: Internet, Mercado e Consumo, Negócios, Propaganda, Tecnologia — Tags: , , , , — Danilo Idman @ 9:50 pm

Há 30 anos atrás, namorar era muito romântico. Casais trocavam cartas perfumadas e esperavam ansiosos no portão pela visita de sua grande paixão. Tudo isso com o consentimento dos pais, obviamente, senão nenhum namoro durava até o casamento.

Já há 10 anos, as coisas não eram bem assim. Existia uma maior liberdade de expressão e a mídia ganhava cada vez mais espaço, onde a televisão era o principal formador de opinião da grande maioria da população. Namorava-se e transava-se em qualquer lugar – como fazemos até hoje.

De alguns tempos pra cá, novas tecnologias além da televisão surgiram e os relacionamentos evoluíram, ficando cada vez mais constantes e mais intensos. Tornou-se relativamente fácil namorar a distância: voar de avião é acessível, falar ao telefone a qualquer momento é real com um celular, e a Internet encurtou quilômetros de distâncias em apenas um clique do mouse.

Tudo ficou mais rápido. Se você está com saudades da sua namorada ao meio-dia, use seu celular. Se o seu marido não avisou que vai chegar mais tarde, envie uma mensagem de texto para ele. Precisa dizer que ama neste exato momento? Escreva um e-mail.

O problema é que a tecnologia não funciona como nós queríamos e às vezes falha. É aí que mora o problema nos nossos relacionamentos. Regina VazPerguntas típicas como “Por que ele não me atende?” ou “Ela já respondeu o seu e-mail?” são muito freqüentes no nosso dia-a-dia, e oferecem um imediatismo recorrente de que tudo pode ser resolvido em questão de minutos. “Pessoas apaixonadas são pessoas ansiosas”, explica Regina Vaz, especialista em Relacionamentos Humanos e diretora executiva da Consulte Brasil. Os casais fizeram das novas tecnologias como a Internet e o celular mais uma maneira de namorar e isso transformou alguns relacionamentos reais em namoros virtuais.

Muitas pessoas tornaram-se tão dependentes da tecnologia que algumas tomam atitudes no mínimo interessantes. Regina Vaz – que também orienta casais em um programa da RedeTV – conta que a esposa de um de seus clientes era tão dependente do marido, que usava a tecnologia para suprir suas necessidades. “Ela enviava dezenas de mensagens por dia, e como ele não tinha tempo para respondê-las, encarregou sua secretária para cuidar da tarefa. Ela recebia as mensagens da esposa do chefe e ela mesma as respondia. No final do dia, fazia um relatório para o chefe, que chegava em casa com todo o assunto do dia na ponta da língua”.

Nem todo mundo é assim, mas muitos já passaram por situações onde a tecnologia interferiu e muito em algum momento do relacionamento, e nós nem sequer percebemos. Uma ligação não atendida simplesmente porque o celular estava descarregado pode causar muito transtorno para um casal. Um scrap deixado no Orkut por aquela amiga do trabalho pode azedar o jantar romântico de muitos namorados também.

“A tecnologia nos tornou imediatistas”, comenta Regina. “Resolver algum problema do namoro por e-mail é como soltar uma bomba e sair correndo”, compara a especialista. A rapidez da tecnologia também encurtou a duração dos relacionamentos. Os “namoros” de hoje em dia começam, terminam e recomeçam de novo muito mais rápido e com muito mais freqüência de quando não nos relacionávamos tanto com a tecnologia. Não é difícil encontrar situações em que um casal brigou uma dúzia de vezes só por causa de um grito no telefone, uma mensagem mal enviada ou um e-mail do tipo “precisamos conversar” mal interpretado. E lá se vão muitas brigas. E lá se foram muitos casais para a fila dos solteiros novamente.

Sérgio Lage“A tecnologia trouxe uma sociabilidade dissociativa” explica o analista de comportamento e consumo da What’Zone, Sérgio Lage. “Quanto mais você se relaciona, menos intimidade você cria. A grande facilidade de se relacionar que a tecnologia nos trouxe tornou o ser humano mais difícil de adquirir intimidade com outras pessoas. É mais superficial e menos comprometimento. Você tem um monte de amigos, um monte de relacionamentos, mas não é íntimo de ninguém”.

A Internet e as redes sociais, como o Orkut, facilitaram o relacionamento de pessoas que antes não se relacionavam tanto, ou porque são tímidas, ou por falta de oportunidade. “O tradicional nerd, que ficava atrás do computador se escondendo do mundo, hoje é bem relacionado, é popular, e tem inúmeros amigos em todo canto do planeta. É um ser antenado”, comenta Sérgio, que também vê o lado bom que a tecnologia oferece aos nossos relacionamentos. Para ele, a Internet possibilitou que muitas pessoas pudessem sair de trás de sua timidez e fazer contato no mundo real, recobrar a sociabilidade que todos nós precisamos, e que a tecnologia só pode tirar se nós a permitimos.

Relacionar-se sempre foi algo feito no mínimo com duas pessoas, e a tecnologia criou novos meios – e mais rápidos – para que isso continue acontecendo. É impossível não refletirmos quantas coisas seriam mais difíceis – e até impossíveis – de serem feitas sem as facilidades que a tecnologia nos oferece, mas nunca podemos esquecer que tudo em excesso é prejudicial. O mundo anda a todo vapor, produzindo informações novas a cada segundo. Cabe a nós peneirarmos o quanto isso pode afetar nossa vida, e o quanto a gente pode simplesmente deletar. Assim como colocar um e-mail na lixeira do computador.

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