Você já reparou na quantidade de placas de “Vende-se” nos veículos que rodam nas ruas?
Comentei com alguns amigos e eles notaram a mesma coisa: as pessoas estão vendendo seus veículos à moda antiga. As tradicionais feiras de veículos, onde pessoas vendem seus carros de forma direta (sem o intermédio de uma concessionária) estão mais cheias do que nunca aos domingos.
Imagino que isto aconteça devido às concessionárias quase não comprarem mais veículos usados. Com novas linhas de crédito e financiamentos prejudicados com a crise financeira, elas não têm dinheiro para comprar o carro dos clientes que venderiam os veículos para financiar um mais novo, por exemplo.
O jeito então é pedir ao filho que digite algumas linhas no computador e colar um papel no vidro do veículo. Os que precisam vender logo, colam um em cada vidro. É quase impossível dirigir com tanto papel colado.
Também vale colar o mesmo anúncio no quadro de avisos do prédio onde mora, no mural da empresa, ou apelar para anúncios no jornal ou Internet. E lógico, levar o carro em uma das tradicionais feiras de veículos.
Os brasileiros aos poucos voltam a fazer negócios à moda antiga, como nos velhos tempos, onde não se comprava um xampu em 10 pagamentos, ou uma cadeira em 21 meses e um carro em até 7 anos.
Ou será que isto é um reflexo precoce de que os endividados estão vendendo seus carros já a grana encurtou, o financiamento ficou caro demais, ou o desemprego bateu à porta?
Se lá nos Estados Unidos eles viveram uma crise imobiliária, com pessoas que não podiam pagar o financiamento de suas casas, quais as chances de viveremos uma espécie de crise automobilística, com pessoas que não conseguem pagar o financiamento dos veículos?
Agora pense comigo: se eu não consigo pagar meu carro financiado em 84 meses, conseguirei pagar minha casa em 240?
Fica aí a dúvida.