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November 28, 2008

A aventura em andar de lotação a noite em São Paulo

Filed under: Negócios — Tags: , , , , , , , — Danilo Idman @ 10:26 am

Ontem vivi uma aventura e tanto. Eram mais de 2 horas da manhã quando saí de um encontro com amigos próximo aos Jardins, em São Paulo, e estava próximo a Avenida 9 de Julho, um intenso corredor de ônibus da cidade. Resolvi economizar no táxi e tentar pegar um ônibus de volta para casa, em plena madrugada paulistana. É inconcebível uma cidade do tamanho de São Paulo não ter um transporte coletivo eficiente, mesmo no período noturno, já que as pessoas por aqui trabalham 24 horas por dia.

Para a minha surpresa, ao invés de um ônibus, apareceu uma lotação, e resolvi arriscar e ver no que ia dar. Acabei vivendo uma experiência única, e enquanto tentava sobreviver não voando pela janela, observei como as pessoas lidam com negócios mesmo nas classes mais humildes da população.

Não foi estranho ver os pontos de ônibus cheios de gente, muitos saindo do trabalho, outros indo trabalhar, e outros simplesmente voltando de uma noitada. São pessoas que moram distante, e que dependem do transporte público como única opção.

A lotação fazia o trajeto Praça da Bandeira no centro até o Jardim Ângela, periferia no extremo Zona Sul de São Paulo, considerado um dos locais mais pobres da cidade. Como o transporte “alternativo” de passageiros é proibido na cidade, a lotação – composta de um motorista e um assistente responsável pelas passagens – só circula de madrugada, tentando garimpar passageiros que esperam por ônibus com mais de uma hora de intervalo.

A regra para os donos da lotação ganharem mais dinheiro em uma noite é bem simples: quanto mais viagens eles fizerem entre um trecho e outro, mais eles ganham. Para isso, o motorista precisa correr, e correr muito. Eu sentei próximo da entrada, e em alguns trechos dos largos corredores que cruzam os Jardins, ele alcançava até 90 Km/h em um micro-ônibus com aproximadamente 20 passageiros.

De repente, percebo que o motorista não estava correndo apenas para fazer mais viagens. Havia um ônibus com destino ao Terminal Santo Amaro vindo logo atrás. Isto significa que ele tem que correr mais ainda para chegar antes às paradas, senão, os passageiros dariam preferência para pegar o ônibus e não a lotação. Ao utilizar o ônibus municipal, os passageiros podem usar o Bilhete Único, cartão que dá direito a fazer integrações gratuitas em até 3 horas, e que não é aceito nas lotações.

Agora o motorista corria para fazer mais viagens e ainda, para chegar antes do ônibus que vinha logo atrás. Eu me segurava para não voar pela janela, tamanha a velocidade que o motorista atingia entre uma parada e outra. Seu assistente, o cobrador, colocava a cabeça para fora da janela ao chegar nos pontos e gritava uma infinidade de lugares por onde a lotação iria passar. O assistente apressava as pessoas para subir no veículo, visto que eles precisavam correr sempre para ficar na frente do ônibus.

Imaginem a minha surpresa, quando percebi que o ônibus que vinha atrás não estava apenas preocupado em pegar passageiros. O motorista do ônibus estava disputando uma corrida com o da lotação, por isso chegava tão próximo do nosso veículo a ponto dos dois se emparelharem em plena Avenida Santo Amaro.

Não entendi o interesse do ônibus em passar na frente da lotação, já que o motorista teria o mesmo salário no final do mês transportando 1 ou 100 passageiros. Mas foi interessante ver a garra que os condutores da lotação tinham em ganhar mais passageiros: precisavam fazer mais viagens em um menor tempo possível, precisavam passar nos pontos antes dos ônibus, e ainda escapar de um motorista-obsessivo que tentava a todo custo atrapalhar o negócio deles.

Foi também interessante perceber a correria que aqueles dois, motorista e cobrador, vivem todas as noites. Curioso como sempre fui, perguntei se eles trabalhavam também pela manhã, e advinha qual foi a resposta: um era motorista e o outro cobrador das linhas municipais da cidade.

Acho que com essa experiência, misto de aventura, é possível percebermos que existem relações de negócios em qualquer situação, em qualquer lugar do mundo, e em qualquer classe social. A diferença é a forma como as coisas são negociadas e a moeda corrente.

Em terra de cegos, quem tem um olho é rei. A cartilha pela qual esses trabalhadores rezam é a do olho por olho, dente por dente, e quem não se arrisca, não ganha o pão no final do dia. Quem corre mais, ganha mais, e o importante é sempre estar na frente do seu concorrente, não importa o tamanho dele.

Para fechar com chave de ouro a minha aventura pela madrugada de São Paulo, em uma das paradas da lotação, algum passageiro grita ao cobrador do lado de fora:

- Pode passar por baixo cobrador?

E o cobrador responde:

- Só se for por baixo da roda…

November 26, 2008

Rede Globo e o 30° Profissionais do Ano

Hoje fui a festa do Profissionais do Ano, organizada há 30 anos pela Rede Globo.

Podem falar que a Globo, é isso, é aquilo, mas ela foi pioneira em muita coisa que fez, por isso merece o nosso respeito. Ela deu muita oportunidade para muita gente se destacar no mercado, sejam agências de propaganda ou os próprios anunciantes, já que muitos deles conseguiram alcançar o sucesso porque investiram anunciando na Rede Globo.

Há 30 anos atrás a Rede Globo já olhava para a propaganda brasileira, e sabia que, aos olhos de um profissional de comunicação, um prêmio sempre será tão atraente quanto um bom resultado de vendas para seu cliente. É mais uma motivação para seu trabalho, e um notável reconhecimento.

As agências vencedoras das etapas regionais pareciam ter incríveis semelhanças: os anúncios tinham idéias simples mas inteligente, a verba era pequena, e tudo tinha que ter uma pitada de humor. Enfim, achei interessante os vencedores terem estas características. Parece que a Globo quis homenagear quem consegue ainda ter idéias simples, e fazer boa propaganda sem gastar rios de dinheiro. Palmas para as agências menores.

Já as agências ganhadoras/concorrentes dos prêmios de abragência nacional eram todas de uma estrutura bem similar: agências-monstro, como eu costumo chamar as big agencies de grupos internacionais: DM9DDB, AlmapBBDO, LewLaraTBWA e outras. Para mim, isso foi uma pura demonstração de que, quem já tem um certo tempo no mercado, fica com a melhor parte. Merecido acho. Palmas para as agências de grande porte.

Festa equilibrada, apresentações de um grupo bem interessante de xilofonistas ( ! ) entre um prêmio e outro, prosecco bom, whisky 12 anos, risoto de alcachofas ou macarronada ( !!! ) ao molho pomodoro. Eu estava com amigos, então deu para equilibrar entre me divertir e ver como o mercado de anunciantes está se comportando em São Paulo e no Brasil. Pois já que para a nossa querida emissora carioca, a Rede Globo de Televisão, hoje em dia é assim que as coisas se dividem: São Paulo, e o resto do Brasil. E dá-lhe mais novela no Copan!

Parabéns a todos os vencedores.

November 4, 2008

O sucesso nas mãos de Barack Obama

E hoje os americanos vão às urnas. Na verdade, o mundo vai às urnas. E o mundo vai às urnas por Obama.

A esperança depositada nesta figura chega a proporções astronômicas. O mundo pede por Obama mesmo sem saber se ele é a melhor opção para governar a economia mais importante do mundo.

As eleições americanas de hoje podem mudar o curso do mundo, da economia, da política mundial, mudar as formas como a população destrói ou preserva o planeta. É talvez um dos fatores mais importantes deste final de década, início de milênio.

O novo presidente dos Estados Unidos é a esperança de todos aqueles que hoje já sofrem com os efeitos da crise econômica americana. Pode ser a solução para as empresas em dificuldades financeiras, a solução para os bancos que agora se fundem, pode ser a solução para a empresa que você trabalha ganhar mais clientes. Ou pode ser o contrário de tudo isso.

Se seguirmos a cartilha da política americana, a vitória de um Republicano como McCain, seria mais interessante para o Brasil nas relações internacionais com os Estados Unidos. Republicanos tendem a ser protecionistas com sua economia (exclui-se Bush, que de tantos tropeços acabou levando o país a uma recessão), e esse protecionismo favorece o Brasil como um grande fornecedor de matéria-prima, impulsionando ainda mais nossas exportações e melhoram nossa relação na balança comercial com os americanos.

Mas se o mundo pede por Obama, tomar que ele vença. Só espero que não tenhamos surpresas se um dia a imagem de bom moço, de político imaculado, venha por água abaixo, e o então inexperiente Obama consiga tropeçar mais que seu antecessor, Bush. É hora de mudança, mas que seja para melhor.

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